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[12.10.06]
[ music | Mother Sea- Bat for Lashes ]

I've been reading "The White Goddess" and "The Golden Fleece" by Robert Graves, and I finally feel I am getting somewhere with this much needed knowledge. Joseph Campbell and his "Power of the Myth" documentary has kept me awake for the last couple of nights - I've been really busy, but I had to find some time to watch these programs. Well, what can I say? It has lifted my spirit...I have a clear idea now that this is the kind of knowledge I want to pursue. The psychological and spiritual themes behind the myths just fascinates me deeply.

And of Course, the philosophy of Epictetus is the order of the day, I've been reading a lot about Stoicism lately. I used to see myself as a non-practitioner buddhist, and now I see myself simply as an stoic. Apathea rules!

I am also in love with "Bat for Lashes":

http://www.bbc.co.uk/dna/collective/A14312882

One of their songs brought tears to my eyes not once, not twice, but three times on the past week. "Seal Jubilee" transported me to a scenery of dark waves, mist and desolation. Yes, the sea has made me cry again, even though I was nowhere near it.

What is it about the sea that makes me so sad?...Natasha Khan sang: "All this ocean blue...'cause I dive into you" and I just had to cry. So many bits of memories came to my mind, as if it was a melancholic dream in which I was the main character who sadly lost a lover...And it was all down to the sea somehow. But I've never experienced anything of the kind, and I really don't know where my mind gets some things from...

But I am smiling today. I've just won on ebay a Monsoon's dress that costs £150 and I only paid £30 for it...wow!








A little Christmas present for myself. It looks gorgeous...I love embroidered garments.

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I am thinking in changing the Layout of my Journal, or asking someone really special and kind to do it for me (which is more likely). I would like to use some of the pictures bellow for it.

"Music" by Gustav Klimt is my favourite. The pictures from the previous post are by an awesome american artist called Sylvia Ji....God, I wish I could paint like her...








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Pinochet já vai tarde. Muito tarde. Rot in hell you bastard!

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Sylvia Ji [12.10.06]












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[11.3.06]
[ music | Humming One of Your Songs - Ane Brun ]

Fui ao médico hoje finalmente para fazer exame depois de dois meses vivendo com um caroço do tamanho de uma noz. Confesso que estava preocupada apesar de toda informação que encontrei na internet, indicando que se tratava de um cisto. Bom, era um cisto mesmo e o médico – indiano pra variar- só teve de fazer drenagem. Na sala de ultrasonografia haviam uns estudantes que tiveram de me examinar também, umas cinco pessoas. Só haviam mulheres bem mais velhas que eu, com exceção de uma que devia ter uns 16 anos esperando para serem examinadas. Sinceramente espero que elas tenham tido o mesmo diagnóstico que eu.
++++++++

Estou lendo agora “Jung e os Evangelhos Perdidos” de STEPHAN HOELLER e ter descoberto que os essenos já possuíam uma noção bastante precisa do conceito de “Arquétipos” realmente só aumentou minha crença de que Deus não é nada exterior, é apenas um conceito que serve à nossa psique.

Percebo que as pessoas que rezam para um Deus que está no céu distribuindo dores e alegrias, pobrezas e riquezas, muitas vezes são atendidos em suas preces, mas creio que isso não passa de um “efeito placebo”.

As civilizações antigas priorizavam o aspecto feminino de Deus, e ele estava em tudo e principalmente em nós, mas com o tempo Ele tornou-se cada vez mais separado, uma força (masculina) regendo o universo.

Jesus Cristo era provavelmente um homem comum, apesar de ter sido um revolucionário, mas se um salvador como ele viesse ao mundo agora, seria provavelmente crucificado pelo próprio povo, porque acho muito difícil que ele iria conduzir as ovelhinhas da forma que elas esperariam ser conduzidas.

A história de Ísis e Osíris, de Perséfone e Demeter, do Nascimento de Jesus conseguem me tocar em um mesmo nível. Claro que se eu houvesse crescido em uma família muçulmana por exemplo, não sentiria as coisas desta forma, mas é assim que vejo agora.

Se calhar tudo é símbolo, e penso que precisamos de um sistema de símbolos e de fé, seja de que ordem for, como mostrou Jung...Sem isto o homem não passa de um ser incompleto, mas no final das contas, Deus somos nós e se usamos a sabedoria, temos de viver neste limiar entre o “amar” e o “negar”, acreditando que somos tudo e ao mesmo tempo não somos nada.

Sinto me bem em igrejas vazias porque certamente os pensamentos que ali pairam transmitem uma energia salutar, mas me senti em um templo quando estive no Distrito dos Lagos também. É isto, Ele está em tudo.

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[11.2.06]
[ music | Frozen Warnings- Nico ]

Conversa com meu pai ao telefone:

Pai: seus tios me chamam pra tomar cerveja com eles de vez em quando mas eu nunca apareço…
Eu: faz tempo que você não os vê?
Pai: Sim. Eles ficam decepcionados, mas estamos aí pra isso mesmo – decepcionar os outros.

Hahahahhhahha, é por isso que eu te adoro... pensar que já não te vejo há três anos...Esse gosto pela solidão, essa aversão por ocasiões sociais – tá bom, minha vida seria um pouquinho mais fácil se eu não fosse assim tão reclusa, mas eu não vou te culpar por isso – essa sensação de perceber coisas que ninguém mais percebe, esse cansaço, esse desprezo por tudo o que é humano, demasiado humano, essa ausência de sentimentalismo....tudo isso me vem de você. Somos iguais, e foi uma honra ter vivido tanto tempo com alguém que é claramente uma alma irmã da minha.

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[10.31.06]
[ music | Samain Night -Loreena Mckennitt ]

E finalmente entendo que muito pouco é necessário …passei alguns dias no Distrito dos Lagos, em Keswick e ali enterrei tristezas. Estava chovendo, e senti uma liberdade da qual até havia esquecido a respeito, embora sua ausência tenha quase me sufocado. Visitei umas lojas de antiguidade -não comprei nada - e lojas de brinquedos repletas de ursos de pelúcia para colecionadores. Cada um custava muito mais que os olhos da cara, mas estava inexplicavelmente feliz de estar ali. Um silêncio libertador, interrompido apenas por um homem no caminho da cidade tocando violão na rua “Don’t think twice it’s all right” de Bob Dylan. Nas lojas de livro, comprei Shakespeare, Apuleio e Mitologia Grega. Mas o fato é que me senti muito bem lá, um verdadeiro templo natural...e eu tenho certeza que recebi minha bem merecida hóstia.







The Lake
by Edgar Allan Poe

In youth's spring, it was my lot
To haunt of the wide earth a spot
The which I could not love the less;
So lovely was the loneliness
Of a wild lake, with black rock bound.
And the tall pines that tower'd around.
But when the night had thrown her pall
Upon that spot — as upon all,
And the wind would pass me by
In its stilly melody,
My infant spirit would awake
To the terror of the lone lake.
Yet that terror was not fright —
But a tremulous delight,
And a feeling undefin'd,
Springing from a darken'd mind.
Death was in that poison'd wave
And in its gulf a fitting grave
For him who thence could solace bring
To his dark imagining;
Whose wild'ring thought could even make
An Eden of that dim lake.











































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[6.7.06]
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Out on the wiley, windy moors we'd roll and fall in green [6.7.06]
[ music | Ballroom of Mars- T Rex (que música, que música!) ]

Casa das irmãs Bronte




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sorvete? [5.8.06]
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Morrissey, mon amour [5.7.06]
[ mood | sick ]
[ music | Bewlay Brothers - Bowie ]

Opera House Manchester. Lugar pequeno, capacidade para poucas pessoas. Cheguei junto com a irmã do homem…Jaqueline Morrissey, que ficou na minha frente um bom tempo com os filhos, dentre eles um rapaz que tenho certeza quase absoluta que era aquele garoto que aparece no vídeo de Suedehead entregando o Pequeno Príncipe ao Morrissey. A espera seria grande e desta vez conversei com os outros fotógrafos que estavam lá. Só haviam dois caras que ficaram me dando dicas sobre fotografia e como poderia ter minhas fotos publicadas nas revistas. Estive tão mal esses dias, ontem estava de cama, me sentindo péssima…tive febre, mas tive de me forçar a ficar bem. Ainda não estou bem agora, I’ve just got sick all over, antes de vir aqui escrever isso porque resolvi fumar um cigarro (não bebi absolutamente nada). O show foi bom , ele não tem mudado o setlist, nem a ordem das músicas. A música que mais me anima é "I just want to see the boy happy"...muito boa ao vivo. Mas aí estão as fotos.

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Daydreaming [3.16.06]
[ music | Funny time of Year - Beth Gibbons ]

Maybe life just fools us all and the wanderer who is lost in the desert just does himself a favour when giving in to the illusions of a mirage. Does it really matter if the palm trees that he glances far away are real or not? For the wanderer that struggles to find his way out from the desert, the mirage is what makes him move on, to abandon the inertia and to put himself in the path for an actual oasis. I have endeavoured many times to achieve so many dreams, believing them all real – and I still do.
Maybe even the most secure things in life are nothing but chimera, and of course everything will result only in death sooner or later, thus everything is obviously pointless...
Nevertheless, when gazing the sky, if a star calls my attention I just surrender, give in myself, striving to follow it as far as it goes – that’s how I move about in life, even though I know that the sky is not my home, and perhaps never will be. And when my stars for some reason disappear from the horizon, I do cry, and I do grief, as if it was the death of a beloved one. While the stars are still visible though, the only doubt a dreamer can find is : "has my love laid profound roots in them yet?".
I have to entertain myself while enduring in this sad world and since I naturally don’t take part in the common enjoyments…it has got to be daydream. To the exhaustion.








And as for soundtrack...
I've been listening to Marissa Nadler (left) and Joanna Newsom (right) a lot lately. Are they faries? are they elves? I don't know but they certainly make incredibly enchanting music.

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Now in English [3.16.06]
[ mood | gloomy ]
[ music | Julia Dream - Pink Floyd ]

A bird crashed into the back glass door, just before the rain yesterday. At first I thought it were some kids throwing stones, but looking the glass closer I found a very small grey feather and looking down in the grass I found a pigeon completely stunned, trying to work out what had just happened. I was stunned too, mainly because earlier I was remembering the episode of a certain pigeon that landed once in my school and stayed there for days being fed by the teachers and the children because of a broken wing. I remembered especially the comment of one of the teachers, who said that the image of a pigeon with a broken wing wandering about in the school was making him depressive, because it was an obvious symbol of degradation, thus the bird was better off dead. And it did die eventually.
I was afraid the same would happen to “my” pigeon yesterday. After the crash it sheltered under some pieces of concrete in the garden for hours and hours, scared to get out. I tried to feed it but it wouldn’t take anything.
A very heavy rain fell afterwards and lasted all the nightlong. When it grew dark outside, I could see in the glass door a perfect silhouette of a bird with opened wings. Even its head and its tail were very distinctive, as if it had been painted by an impressionist. I swear it looked like a piece of art.
It was good to sleep listening to the rain outside, but I woke up many times during the night thinking about that pigeon. And most of all, considering the whole episode as a symbol, whose meaning I couldn’t quite point out.
I woke up today fearing I would find the poor bird dead, but fortunately it was gone. Was it eaten by a fox or by a neighbourhood’s cat? Or despise all the rain it just flu away? I prefer to believe in the second hypotheses, though I will never know.

I will leave the bird silhouette in the glass until it vanishes naturally, by itself. And if it was meant to be a symbol addressed to me personally, I promise to slow down in my “flights” in the future (yes, I am self obsessive and just take all the events surrounding me personally, I can't help it).

This journal will be written in English and Portuguese. The reason being: 1) I've been thinking more in English that in Portuguese lately; 2) I need to improve my skills in this language; 3)I just fancied to make acquaintance with people from different nationalities through this Journal. Cheers.

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From the ashes [2.10.06]
[ mood | still drunk, still ill ]
[ music | Drop - Hope Sandoval ]

Aquisições Recentes


Siamese Dream
Siamese Dream



Shiny shiny...shiny boots of leather...Velvet Underground
Shiny shiny...shiny boots of leather...Velvet Underground

encarte do Siamese Dream
encarte do Siamese Dream

I've got soul but I am not a soldier
I've got soul but I am not a soldier

vinil, vinil, vinil
vinil, vinil, vinil

Nico, a maravilhosa
Nico, a maravilhosa

Bob Dylan scrapbook
Bob Dylan scrapbook



como é bom encontrar livros por £2,50
como é bom encontrar livros por £2,50

Under influence
Under influence






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That's why we only work when...we need the money [11.27.05]
[ mood | half annoyed ]
[ music | Merry Go Round - Babyshambles ]

Estava me sentindo tão deprê no caminho para o show, e nem sei porque…Peguei carona para o Manchester Evening News Arena e chegando lá, disse “obrigada” e bati a porta …não disse mais nada e saí caminhando no vento gelado. Mood Swings…

Estava me sentindo amarga…
O cambista perguntou se eu queria comprar ingresso, disse “não, obrigada” e fui tentar pegar o passe na bilheteria. Quando retornei ele me disse: “she is in the guest list... such a pretty face like that”. Dei risada.

Depois lá dentro da casa de show, tive de esperar uma eternidade já que só era permitida a entrada quando a banda começasse a tocar a terceira música (quem entende estas regras?). Fiquei andando em círculos lá dentro pra me aquecer. Outro cambista se aproximou de mim e perguntou, “are you waiting for a lad or someone?”. Poderia tentar explicar o que eu estava fazendo ali mas me limitei a mentir e dizer: “yes, I am waiting for a lad”.

Adoro estar sozinha…é como um oásis de calma e tranqüilidade. Ocasionalmente alguém vem dizer algo, mas geralmente é rápido e eu posso retornar ao meu “isolamento esplêndido”. Ademais se eu pagar um mico ou algo do tipo, prefiro que ninguém conhecido esteja lá pra me lembrar do incidente pelas próximas gerações. Adoro esta sensação de liberdade e independência…sou uma versão feminina do Carlos Drummond de Andrade nesse sentido: sou capaz de mentir para que as pessoas me deixem em paz…(era isto que ele fazia, chegava a mentir para os amigos para que eles não o importunassem...sou igual).

Percebi que outros fotógrafos chegaram mas fiquei na minha, inclusive quando o segurança veio pedir pra que nos juntássemos, eu continuei na minha, no meu isolamento... Notei que eles me olhavam, mas eu estou sossegada…já disse que não tenho a menor intenção de fazer "amiguinhos".

Antes de ir embora o cambista que havia me perguntado se eu estava esperando por 'algum cara', se aproximou de mim novamente e disse: “I hope you have a jolly good evening”. Sorri pra ele e disse obrigada.

Bom, a noite não chegou a ser “jolly good” por uma razão apenas: não pude ficar até o final do show. Só era permitido ficar lá durante algumas músicas e depois picar a mula. Eu não sabia disto...e agora como posso escrever uma resenha sobre a p**** do show se só assisti uma parte? Vou tentar vender as fotos então, se não conseguir simplesmente as usarei para mostrar pra alguma revista e tentar achar um trabalho de fotógrafa freelance no futuro …O triste foi que eu havia avisado a moça da gravadora que precisaria de um ingresso e um passe pra fotos. Ela apenas colocou meu nome na lista para passes...Bom...azar (meu, claro).

Saí do prédio meio desapontada mas não estava mais me sentindo tão deprê como antes.

Uma das fotógrafas (uma garota com os cabelos pintados de cor de rosa) chegou pra mim e disse “desculpa por ter entrado na sua frente toda hora lá dentro enquanto você tirava fotos” e eu disse “An? Ah tudo bem não se preocupe” – e eu nem notei que ela tinha entrado na minha frente…acho que ela só queria puxar assunto mesmo, mas mais uma vez não saí da concha…

Depois fico com pena…não com pena das pessoas que se aproximam de mim, mas com pena da situação em si, se é que me entendem... Juro que não faço charme...é que tenho total inabilidade pra conversa trivial MESMO...E só consigo ser calorosa de verdade com poucos “escolhidos” e destes eu não quero me ver livre …quando quero ser “sweet" com alguém, sou “sweet as hell!”, acreditem…

Guardo minha doçura pra quem realmente me cativa...com o resto do mundo sou totalmente fria e distante.

Saí do prédio peguei um táxi. O taxista tentou puxar papo comigo a princípio, falando sobre a temperatura... Depois de um longo silêncio ele perguntou meu nome. Disse: “Gisele” e ele respondeu “Oh que nome romântico!”... isto eu achei bonitinho. A esta altura já estávamos bem perto de casa. Disse boa noite ao taxista e entrei...um pouco decepcionada por ter vindo embora tão cedo...a atmosfera naquele lugar estava muito boa mesmo...e eu adoro o Franz : (

E foi isto…

Vou colocar aqui algumas fotos que tirei, ou tentar pelo menos...










Cadê o baterista? não tenho a mínima idéia, nem consegui ver o moço...

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[11.24.05]
[ music | Mr Brightside - The Killers ]

Semana mais ocupada que o normal. Hoje tive de traduzir um relatório para um refugiado, e pela primeira vez troquei idéia com um médico inglês. Todos os outros médicos pra quem trabalhei até hoje eram indianos ou paquistaneses. Na Segunda fui a um hospital para doentes mentais, e já que o cliente não apareceu o médico indiano me chamou na sala dele e me ofereceu café. Perguntou se eu era estudante, e quando disse que não, que estava ali a trabalho, ele me olhou de um jeito meio estranho. Deve ter achado que eu era estudante por causa dos meus trajes: jaqueta barata comprada na Primark por £10,00 e calças jeans como de praxe…(mas por um acaso eu ligo?... Uhmn? uhmn?).

Mas o cara era gente fina parecia uma versão indiana do James Brown (o cabelo era igualzinho). Uma graça...e o café que ele me fez estava muito bom.

Ficou me explicando como eles identificam geneticamente a probabilidade de alguém ter Síndrome de Down, e como reconhecer se um bebê recém nascido é portador da doença ou não. Também me contou que alguns pacientes com grau menos severo da doença, se acham “normais” e quando alguém questiona suas capacidades intelectuais, eles dão de ombros e acreditam que “loucos são os outros”.

Não vou nem falar que hoje o negócio lá com o refugiado foi bem mais barra pesada e que senti muito ódio…

Descobri que ¾ das pessoas que tentam asilo político na Inglaterra acabam sendo recusadas e tendo de voltar para o país (inferno) de origem. Os que conseguem ficar têm de mostrar um alto grau de trauma psicológico, chorar bastante nas entrevistas, etc, já que os que não choram são imediatamente deportados (como se sofrimento pudesse sempre ser medido desta forma).

Na Terça fui ao Job Centre tentar encontrar um trabalho fixo mas foi um verdadeiro desastre…os títulos das vagas me dão desespero… eu não me enquadro em nada daquilo, jamais irei me enquadrar. Permaneço "absolutely unemployable", como sempre.

Consegui um passe pra tirar fotos no show do Franz Ferdinand no sábado. A última vez que eu consegui um passe, o Franz Ferdinand era coincidentemente a banda de abertura. Na ocasião dei de cara com o Alex Kapranos no corredor ali do lado do palco. Disse "hi", e ele sorriu e me deu uma piscadinha (juro).

Dessa vez se eu vê-los novamente prometo que irei me comportar…ou não, haha…

E que os deuses me ajudem a operar aquela câmera, amém.

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[11.14.05]
[ mood | happy ]
[ music | silêncio ]

Na noite passada, fui pra cama bem tarde como de costume mas não dormi. Estava com o corpo e a mente cansadas mas a consciência se prendia insistentemente por alguma razão ao estado de vigília. Dormi muito pouco, cerca de umas 2 horas e quando acordei tive a sensação de quem acaba de ter um sonho bom…dai me lembrei de que não era sonho, mas realidade…

Lá fora o céu não estava cinzento, mas branco mesmo, exceto por uma faixa cor de rosa ao longe indicando o alvorecer. Minha percepção sobre as coisas mudou...tudo à minha volta parece fazer um sentido que há muito não fazia...as cores, os cheiros, os sabores, TUDO PARECE ESTAR NO LUGAR CERTO. Até esta dorsinha nas costas que estou sentindo está de certa forma trazendo um prazer...Não é uma sensação de quem está apaixonado e cego e vendo tudo mais bonito, muito pelo contrário...Nunca vi as coisas com tanta clareza e nunca tive os olhos tão abertos...e no entanto me sinto calma como um rio.

Sinto que vivo um desses momentos em que promessas (feitas por mim mesma em algum tempo longínquo), estão sendo cumpridas. Parece que o céu que vejo lá fora está mais perto da Terra agora, quase se juntando a ela....

E uma coisa é certa: o coração jamais obedeceu e jamais obedecerá as leis dos homens...digam o que disserem.

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[11.12.05]


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Seasick yet still docked [11.8.05]
[ music | Friday Mourning - Morrissey ]





I am a poor freezingly cold soul
So far from where
I intended to go
Scavenging through life's very constant lulls
So far from where I'm determined to go


Disse que não iria escrever aqui mas estive pensando muito sobre o quanto as coisas da vida se reduzem a pura ilusões. Somos como o personagem Procusto da mitologia grega…Procusto era um anfitrião muito hospitaleiro, mas cortava ou esticava os braços de seus visitantes caso estes fossem maiores ou menores que sua cama de hóspedes…Ele queria que todos se adaptassem a seus parâmetros (a cama).

Quem pode dizer que nunca fez isto? Não há como não nos decepcionarmos na vida, já que criamos expectativas em cima de pessoas que não nos prometeram absolutamente nada...Eu me decepciono quase todos os dias e tenho certeza de que quase todos os dias decepciono alguém…

E a vida seria infinitamente mais fácil se não seguíssemos este arquétipo tão à risca. Apenas com o passar do tempo chegamos a conclusão de que absolutamente ninguém vai ser da medida exata da “cama”…mas na maioria das vezes já é tarde. Melhor coisa é aproveitar o que há de melhor em cada um (clichesão da porra!).

Quando eu tinha 18 anos, era apaixonada por um garoto...Ia na casa dele todas as terças-feira depois do Curso de Filosofia que fazíamos no Ipiranga. Ouvíamos músicas juntos, falávamos mal das pessoas e do mundo, bebíamos chá e comíamos torta de maçã que a avó dele fazia. Mesmo tendo sido um amor essencialmente platônico, mesmo sem ele nunca ter me beijado (ou abraçado), aquele relacionamento serviu para aliviar o peso das minhas costas...

Cara...de lá pra cá eu me tornei adulta, eu e meu amigo mudamos, perdemos contato, mas ainda sinto falta de pessoas com quem eu possa “dividir o peso”.

Porém tenho medo da tal “cama de Procusto”... sou muito transparente e logo deixo claro que não me enquadro em nenhum parâmetro...Nenhum, nenhum, nenhum...

No momento, estou fazendo das tripas coração para abandonar todos os meus padrões de vez e apenas aceitar as pessoas como elas são... e estou fugindo de quem quer cortar (ou esticar) minhas pernas...Quero ser feliz mas a carência afetiva misturada à auto-crítica não deixam...

And when they hold me down, and when they kick me down, the stairs, I see the faces, all lined up before me, of teachers and of parents and bosses who all share a point of view - "you are a loser, you are a loser"

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outro quizz [11.8.05]
Tomorrow
Which solo Morrissey song are you?

brought to you by Quizilla
You are Tomorrow! Dreamy, heart full of emotion, you want what you know you cannot have.


410 other people got this result!
This quiz has been taken 1520 times.
27% of people had this result.
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Personality Disorder Test [11.7.05]
DisorderRating
Paranoid Personality Disorder:Low
Schizoid Personality Disorder:High
Schizotypal Personality Disorder:High
Antisocial Personality Disorder:Low
Borderline Personality Disorder:Low
Histrionic Personality Disorder:Low
Narcissistic Personality Disorder:Low
Avoidant Personality Disorder:Moderate
Dependent Personality Disorder:Low
Obsessive-Compulsive Disorder:Low

-- Take the Personality Disorder Test --
-- Personality Disorder Info --

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"Oh Brother..." (Parte II) [11.7.05]
[ music | Keep the Homes Fire Burning - Bluetones ]

Acabo de dizer que não gosto de sair de casa, ainda mais em grupo, ainda mais quando está chovendo, que prefiro ficar aqui com meus livros, a tv e minhas músicas e quando menos espero minha interlocutora diz : “ah, então venha com a gente ao Centro da cidade neste Domingo, vamos fazer compras…” Não tive escolha....percebi que as tais pessoas ficariam chateadas se recusasse (de novo) sair com elas.

Pois bem...acordo de manhã no Domingo com a sensação de cansaço de quem somente conseguiu pegar no sono às 5:00 da manhã...lá fora está chovendo e eu estava num “bad hair day” daqueles... tive de me por de pé e pintar minhas unhas (que também estavam em petição de miséria) antes de ir encontra-me com as garotas...

Vida em sociedade é isso aí...
Andamos pelo centro...conversamos sobre coisas como: “onde você vai passar o Natal?”; “Gostei desta bolsa mas achei muito cara”....etc, etc, etc...

Gastei dinheiro que não tinha e voltei pra casa com sensação de missão cumprida. No ônibus a fatal pergunta: “O que você vai fazer hoje a tarde, Gisele?” ermmmmm... “não sei, acho que vou arrumar a bagunça...ah também tenho umas coisas pra ler...e também estou com dor de estômago por isto melhor eu ir pra casa”....resposta: “Por que você não vem lá em casa com a gente pra assistir um filme, ver tv?”

E eu morrendo de vontade de ir pra (minha) casa fazer um chazinho, ouvir no stereo umas músicas que havia feito download recentemente, ou até mesmo assistir o compacto com os melhores momentos de East Enders na tv. “Não obrigada” foi minha resposta final.

Ainda bem que os ingleses não guardam rancor....afinal não é de "bom tom", haha...

O programa Boys and Girls and the Britpop (acho que era este o nome) que foi ao ar ontem, falou sobre os anos 80...
Apareceu uma reportagem da época com o Morrissey dizendo que tudo era tão vazio no mundo pop durante o período, que ele e Johnny se viram na obrigação de dizer algo significativo através da música. Depois foi dito sobre o fato dele ser celibatário, como era de se esperar.

Sadie Shaw apareceu falando que o Morrissey sintetizava o sentimento da incerteza sexual: enquanto Annie Lenox se vestia como homem para mostrar que as mulheres não são objetos, e Boy George se vestia como mulher e deixava bem claro sua orientação sexual, Morrissey não se enquadrava em categorias, e nem tampouco levantava bandeiras. Demais... Depois apareceu o Johnny Marr falando que os Smiths sempre foram tachados de uma banda para aqueles que se trancam no quarto pensando em cometer suicídio...mas que na verdade, as pessoas "normais" que jogam bola, namoram, trabalham também se identificam com eles..."And I know it because I've met these people" foi o que Johnny disse no final... Vou comprar a série quando sair em DVD.

Nada pra fazer...de fato se tudo der certo esta semana será dedicada a leitura da pilha de livros que estão se amontoando...Aproveitarei também para tentar um photopass para o show do Franz Ferdinand no final do mês...wish me luck...

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